Na manhã desta quinta-feira, 20 de março, a sala Manoel Lago, no Banco Mumbuca, no Centro de Maricá, foi palco de um encontro emblemático. Representantes de movimentos sociais e entidades locais se reuniram para tratar de um tema urgente: a crise climática e seus impactos devastadores no município de Maricá. O evento contou com a participação de 32 pessoas ligadas a organizações como o Grupo Consumo Solidário, Baía Viva, Coopsoluções, Associação de Moradores de Pindobal, Gaia Soluções, Instituto Guararema, Horta Comunitária Cordeirinho e Amaterra.
O principal objetivo da reunião foi discutir os efeitos da crise climática em Maricá e propor iniciativas de curto, médio e longo prazo para mitigar seus impactos. Durante o debate, foram abordadas questões alarmantes, como a seca sem precedentes que atinge a cidade, a crise hídrica, os incêndios florestais que colocaram Maricá entre os municípios com maior número de queimadas no Estado do Rio de Janeiro, a perda de plantações e de parte significativa da Mata Atlântica, além dos efeitos nocivos à saúde da população, como a densa nuvem de fumaça registrada em regiões como Ponta Negra e o Centro da cidade.
Um dos momentos mais marcantes foi a fala de Alberto Sítio Aruanda, representante da Amaterra, que destacou a gravidade do cenário atual:
“Nós estamos passando por uma crise sem precedentes na história de nosso município. As queimadas acabam gerando consequências além da própria queimada. Destroem o bioma, causam a diminuição de água no subsolo. Cada incêndio na mata destrói árvores até centenárias. Precisamos de ações educativas e punitivas para mudar a cultura do fogo por uma cultura do cuidado. Estamos reivindicando uma legislação que crie uma brigada de combate a queimadas e incêndios permanente, devidamente equipada e treinada.”

Criação do Fórum e Encaminhamentos
Como resultado da reunião, foi lançado o Fórum sobre os Efeitos da Crise Climática de Maricá, que será responsável por articular ações e promover o debate contínuo sobre o tema. Além disso, foram aprovados encaminhamentos importantes, como:
– A elaboração de uma carta à população, abordando a crise climática, os incêndios e a escassez de água no município;
– A criação de uma minuta de lei para a formação de brigadas permanentes de combate a queimadas e incêndios;
– Elaboração de uma carta sobre a crise climática que será encaminhado à Câmara Municipal e ao poder executivo.
A coordenação formada durante o encontro terá a missão de organizar as próximas ações, garantindo que as demandas sejam discutidas e implementadas.

A Urgência de Agir
Os impactos da crise climática em Maricá não são apenas uma ameaça ao meio ambiente, mas também à qualidade de vida dos seus moradores. A seca, os incêndios e os danos à saúde exigem respostas rápidas e eficazes. A criação do Fórum representa um passo importante para unir esforços da sociedade civil e do poder público na busca por soluções.
A mensagem deixada pela reunião é clara: é preciso transformar a cultura do descaso em uma cultura de cuidado e responsabilidade para proteger o futuro de Maricá. A sociedade está mobilizada, e agora, espera-se que as autoridades também façam sua parte.
Este é um momento crítico para o município, mas com organização, educação e políticas públicas efetivas, há esperança de enfrentar a crise climática com resiliência e determinação.
